Mulheres Incríveis: Lizzie Magie

Iniciamos hoje (09.03.2020) um conjunto de textos que acompanhará nossa jornada em diferentes épocas ao longo dos próximos anos. Inspirados pelo Dia Internacional da Mulher, resolvemos lançar a série “Mulheres Incríveis”. Acreditamos que as histórias devem ser compartilhadas em vários momentos pois, a luta pelo Direito à Igualdade entre os gêneros não pode ficar restrita apenas a um dia do ano.

E nada melhor do que trazer essa essência dentro do nosso mercado de atuação. O universo de jogos de cartas e tabuleiros tem sido cada vez mais ocupado pelas mulheres – e não é de agora. Neste primeiro texto, vamos falar um pouco sobre a história de Elizabeth J. Magie Phillips, conhecida também como Lizzie Magie.

(fonte: Interesting Engineering)

Vamos nessa?

Nascida em Macomb, Illinois, centro-oeste norte-americano, em 9 de Maio de 1866, Lizzie foi uma importante designer de jogos, escritora, engenheira e também ocupou outras funções no mundo das artes e comunicação. Sua carreira teve importante influência de seu pai, James K. Magie, editor de jornais e com considerável envolvimento em questões políticas da época, com destaque ao abolicionismo. Foi ele quem apresentou Lizzie ao trabalho do economista Henry George através do livro “Progresso e Pobreza”, uma obra que de certa forma lapidou o destino desta mulher. Inspirada nas ideias de Henry, Lizzie tornou-se “georgista”.

georgismo, também chamado de geoísmo e imposto único, é uma filosofia econômica desenvolvida por Henry George, economista norte-americano (1839-1897), e que se funda num imposto único sobre a renda da terra.

No pensamento georgista, embora os indivíduos devam possuir o bem que produzem, o valor econômico derivado da terra deve pertencer igualmente a todos os membros da sociedade.

Tal filosofia seria primordial para uma das criações mais importantes desta mulher incrível: o jogo The Landlord’s Game (tradução: O Jogo do Senhorio), uma forma de protesto contra os grandes monopolistas de seu tempo. Este, mais tarde seria base para o mundialmente famoso Monopólio, cuja mecânica inspirou outros jogos como Banco Imobiliário (bastante popular no Brasil).

“Magie viveu uma vida altamente incomum. Diferente da maioria das mulheres de sua época, ela se sustentou e não se casou até a idade avançada de 44 anos. Além de trabalhar como estenógrafa e secretária, ela escreveu poesias, contos e fez rotinas cômicas no palco. Ela também passava seu tempo livre criando um jogo de tabuleiro que era uma expressão de suas crenças políticas fortemente defendidas.

Ela criou dois conjuntos de regras para seu jogo: um conjunto antimonopolista, no qual todos eram recompensados ​​quando a riqueza era criada, e um conjunto monopolista, no qual o objetivo era criar monopólios e esmagar oponentes. Sua abordagem dualista era uma ferramenta de ensino destinada a demonstrar que o primeiro conjunto de regras era moralmente superior. “

Artigo: Monopoly’s Inventor: The Progressive Who Didn’t Pass ‘Go’ (NY Times)
The Landlord’s Game, criação de Lizzie Magie (fonte: The Strong)

Porém, destes conjuntos de regras, o segundo (“criar monopólios e esmagar oponentes”) acabou sendo apropriado por Charles Darrow para “criação” do jogo Monopólio como conhecemos. Darrow, tornou-se milionário quando vendeu o jogo na década de 30 para empresa Parker Brothers, enquanto Lizzie – que havia patenteado a mecânica do jogo em 1903 – foi recompensada com cerca de USD 500 por sua invenção (um valor provavelmente menor do que o custo de seu desenvolvimento). Magie foi à imprensa clamar por sua autoria, já idosa, mas acabou falecendo anos depois (1948) sem receber os devidos créditos por sua genialidade.

Genialidade esta que já havia aparecido em diferentes momentos de sua biografia:

  • Aos 20 anos, ela inventou um dispositivo que permitia que o papel passasse por rolos de máquina de escrever com mais facilidade, promovendo significativos avanços nos trabalhos da época;
  • Aos 30 anos, ao conseguir registrar The Landlord’s Game, passou a fazer parte de um seleto grupo: menos 1% de todas as patentes dos Estados Unidos tinham origem em requerimentos de mulheres;
  • Sobre o design de seu jogo, destacamos que diferente da maioria dos tabuleiros que seguiam um padrão linear, Lizzie trouxe a opção aos jogadores de circularem no espaço. Fator que, junto à ideia central do produto, contribuiu para que este fosse usado de forma educativa em diversos centros pelo país;
  • “Não somos máquinas. As meninas têm mentes, desejos, esperanças e ambição.” – foi o que disse Maggie perto de seus 40 anos de vida ao ganhar notoriedade no país após lançar um anúncio provocativo e em forma de protesto nos jornais. O conteúdo? Ela se ofereceu para a venda como uma “jovem escrava americana” pelo melhor lance. “Não sou bonita, mas muito atraente. Tenho feições cheias de caráter e força, mas verdadeiramente femininas”.

Mais de 30 anos se passaram até que a verdade viesse à tona e Lizzie finalmente recebesse os devidos créditos como criadora de uma das mecânicas de jogo mais bem sucedidas da história.

Por toda sua luta, criatividade, legado e ousadia, só podemos chegar a uma conclusão: Elizabeth J. Magie Phillips é uma mulher incrível.

Abraços e bons jogos!

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